Portugal à frente, Cotrim presidente!
Dezoito de janeiro é uma data emblemática de resistência à ditadura. Conhecendo com mais ou menos ao pormenor esta data e o seu significado este ano assume contornos especiais: o acolhimento das eleições presidenciais mais disputadas da nossa história coletiva e uma oportunidade.
Que oportunidade será essa, e qual a relevância da mesma? Esta questão está relacionada com o contexto político e económico que vivemos, e com a postura presidencial a que assistimos nos últimos anos. O contexto português a que me refiro é o imobilismo, a falta de reformas, o medo de mexer, o “está mau, mas há quem esteja pior…”. Um Presidente cujo duplo mandato ficou marcado por gestos simbólicos e proclamações vagas, sem aproveitar a estabilidade política – da geringonça à maioria absoluta – para impulsionar reformas estruturais.
Com o elenco de presidenciáveis fechado – e com as sondagens a definir uma disputa a cinco – poderia ser difícil definir qual o candidato mais competente para merecer o voto de cada um de nós, porém para mim foi bastante simples. Numa fase inicial das candidaturas a fraca disponibilidade de figuras mais proeminentes da política portuguesa em avançar deixou um vazio numa grande fatia do eleitorado, mas quando Cotrim de Figueiredo avançou a mobilização desse eleitorado foi imediata – e até dia dezoito será ainda maior.
A questão é: porque é que houve esta rápida adesão à candidatura de Cotrim de Figueiredo? Para além de algum vazio intelectual noutras candidaturas, e de falta de pendor reformista de outras, Cotrim tem o perfil ideal. Tem larga experiência profissional, e experiência política enquanto líder partidário, deputado da nação e deputado europeu. Em ambas é conhecida a sua capacidade de mudar “coisas”, repensar, discutir, e assumir responsabilidades. Não irei aqui apresentar todos os casos, porém posso expor o mais recente no Parlamento Europeu (que o levou a ser vice-presidente do Partido Liberal europeu), conhecido como “Efeito Cotrim”: recentrou o debate na desburocratização, crescimento económico e no Futuro.
Em Portugal é necessário recentrar o debate político, afastando-o de Sound Bytes e irracionalidade, de forma a compreendermos as causas profundas que estão a deteriorar o nosso sistema político e como consequência última, a própria Democracia. É preciso discutir o Futuro para o preparar, para que as surpresas várias do dia-a-dia tenham menos consequências negativas, e para conseguir aproveitar as oportunidades que o Futuro pode trazer a Portugal.
Esta é a oportunidade deste dezoito de janeiro. Podemos eleger alguém para a Presidência da República que recentre o debate nos temas importantes, que marque a agenda política e que incentive os partidos a pensar e a inquietar-se com o «atraso português». A Presidência da República deve ser um motor de exigência democrática, de visão estratégica e de debate sério.
Essa oportunidade não deve ser desperdiçada, não apenas para escolher um Presidente, mas para afirmar que não nos conformamos com o atraso, com o imobilismo e com o “vai-se andando”. Eleger Cotrim de Figueiredo é afirmar que queremos um país mais ambicioso, mais livre e mais preparado para o futuro. Vamos pôr a Portugal à frente.
Diogo Moreno